Gaza. Israel e Hamas concordaram em realizar um cessar-fogo humanitário de 72 horas, a partir de hoje. O acordo foi divulgado pelos Estados Unidos e pelas Nações Unidas, em um comunicado comum.
O pronunciamento diz que israelenses e palestinos deram garantias de que a trégua seria incondicional, e de que haveria mais negociações para um cessar-fogo duradouro.
O comunicado foi liberado em Nova Déli, na Índia, onde o secretário de Estado americano, John Kerry, participa de reuniões com autoridades indianas.
Mais cedo, a Casa Branca e a ONU haviam criticado Israel. Os americanos chamaram de "inaceitável" e "indefensável" o ataque israelense a uma escola, que deixou 15 mortos, na última quarta-feira (30). Esta foi a crítica mais forte dos americanos a Israel desde o início da operação, em 8 de julho.
Já a ONU disse que a população de Gaza está "encarando um abismo", e chamou a atenção para a situação dos desabrigados. Segundo o órgão, 220 mil pessoas estão acampadas em seus edifícios, e outras 200 mil em casas de parentes.
Ofensiva duradoura
A operação Margem Protetora entrou no 24º dia ontem, o que a torna a mais duradoura desde que Israel retirou militares e civis judeus da Faixa de Gaza, no ano de 2005. Mais de 1.400 palestinos já morreram na atual ofensiva, além de 56 soldados e três civis israelenses.
Antes do anúncio do cessar-fogo humanitário, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, alertara que o Exército "vai terminar o trabalho" visando à destruição da capacidade militar do Hamas na Faixa de Gaza, apesar das críticas da ONU em relação às perdas civis entre os palestinos.
"Estamos determinados em concluir a destruição dos túneis do Hamas com ou sem cessar-fogo", afirmou Netanyahu ontem, após o anúncio da mobilização de 16.000 reservistas adicionais - elevando o total para 86.000 mobilizados - e do fornecimento de munições norte americanas.
De acordo com o general Sami Turgeman, a destruição desses túneis é "questão de dias".
O Hamas, que controla o enclave palestino, havia recusado qualquer cessar-fogo sem uma retirada das tropas israelenses do território, o fim dos ataques e uma suspensão do bloqueio imposto por Israel desde 2006.
Relatos
"Um drone bombardeou nossa casa. As pessoas vieram nos ajudar e o drone bombardeou novamente. Três morreram", contou Mahmud Alyan, um enfermeiro de 23 anos de Beit Lahiya. O jovem chegava ao hospital Al-Shifa, em Gaza, com um ferimento na barriga.
Refugiados estão quase sem água e sem comida
Gaza. O chefe da agência da ONU para a Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA), Pierre Krühenbühl, alertou que a população civil está "à beira do abismo" e lamentou o surgimento de epidemias. Mais de 230.000 refugiados estão aglomerados em condições precárias nos 85 centros da agência em Gaza, sem energia elétrica e quase sem água e alimentos.
O chefe da UNRWA disse ao Conselho de Segurança da instituição que Israel deve assumir responsabilidade por ajudar os desabrigados, sobretudo diante da informação de que o Exército israelense ordenou que mais pessoas evacuassem suas casas.
Além dos desabrigados que buscam auxílio da ONU, cerca de 200 mil devem estar em casas de familiares, e 299 mil crianças precisam de apoio psicossocial na região, segundo o órgão.
Apoio a Israel
Aos gritos de "Israel legítima defesa", milhares de pessoas se reuniram ontem em Paris para apoiar Israel em sua ofensiva na Faixa de Gaza. Segundo a Polícia, 4.500 manifestantes participaram do primeiro protesto pró-Israel organizado na capital francesa desde o início do conflito.
Fonte: Diário do Nordeste
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